Adolescência é
uma época difícil, né? É gente tentando agradar os pais, os professores, o
crush, se agradar e ainda se rebelar. É tudo tão confuso.
Quando eu
estava na escola não me encaixava em nenhum grupinho. Populares, rockeiros,
funkeiros, nerds... Mas, a minha solidão não durou muito tempo, porque eu não
era o único que não se encaixava, então nos juntamos e durante todos os anos
nós formávamos o grupinho dos desajustados.
Conforme o
tempo foi passando acabei me enturmando com outros grupos: os alternativos.
Naquele tempo, não sei se ainda continua, era moda menino tocar violão para
impressionar. Era fofo, era popular e alternativo. Quem não ia querer
participar dessa?
Meu tio
(músico) tinha um violão em casa, infernizei a vida dele que queria emprestado
e que devolveria quando comprasse o meu próprio. Com um DVD de aula eu comecei a
estudar, não duraram dois dias, o violão foi pra cima do guarda-roupa, não
adiantava o quanto eu tentava, aquilo não era pra mim. Eu sabia disso.
Aí surge a
pergunta: vale a pena tentar impressionar pessoas, só pra se encaixar em um
grupo que você, naturalmente, não pertence?
Agora eu tenho
um violão, nunca o toquei e sinto o maior prazer de não ter me encaixado
naquele grupinho.
Música para
mim é quase sagrada. O problema é
que, aqui no Brasil, somos muito influenciados por músicas americanas e
inglesas. Nem mesmo as nossas músicas nos influenciam tanto quanto os artistas
internacionais. Sofro muito pra
encontrar uma banda brasileira com letras legais, uma melodia que me atraía e
que a personalidade do artista não estrague tudo isso, depois farei uma postagem sobre as minhas bandas brasileiras favoritas.
Enfim,
pensando nisso e desejando coisas novas, decidi começar um
projeto com bandas de países por todo o mundo, alguns meses atrás. Peguei
uma lista no Google de bandas divididas por países e pronto, cada dia eu sorteava uma, escutava o último álbum lançado e
dependo da minha exigência no dia, ele entrava ou não para uma lista que fiz no Spotify
com uma amiga que participou do projeto.
Passamos por
várias bandas esquisitas e outras muito legais, não encontramos algumas, outras
foram muito difíceis de suportar e desistimos (desculpa, Egito!). Percebemos
que mesmo em países com outras línguas nativas, as bandas que cantam inglês
prevalecem, e às vezes isso nos fazia sortear outra banda (já que o intuito do
projeto era descobrir coisas novas!). Agora o projeto já acabou, estou me
sentindo meio órfão e daqui um tempo vou começar outro, mas hoje eu separei cinco bandas, escolhi uma música de cada para vocês descobrirem.
Kabul Dreams
Kabul Dreams é
uma banda do Afeganistão de indie rock e rock n' roll. Foi a primeira banda e
não poderíamos ter começado melhor, conquistou logo de cara. Apesar de ter algumas
músicas em inglês, as que são cantadas na língua nativa são tão boas quanto. O
álbum que nós ouvimos foi o WE ARE Kabul Dreams.
Mammut
Boliviana,
a banda Mammut, foca no rock. Suas músicas são todas no idioma do país. O álbum
escutado foi o Barbarie.
Desmod
A banda da
Eslováquia foi um alívio, após de desistir do Egito (a mulher cantava gemendo), estávamos com medo de encarar países tão desconhecidos musicalmente, mas Desmod apareceu com esse rock leve e salvou. Vyberovka, foi o álbum
escolhido.
Fossils (Rupam
Islam)
Fossils foi uma surpresa boa: a banda é da Índia
e toca rock. Apesar do idioma bem estranho, a melodia consegue ser bem
agradável aos ouvidos. O álbum foi Fossils 4.
Musiqq
Direto da
Letônia, o duo que compõe Musiqq toca pop e R&B, que é mais o meu gênero preferido, então foi uma das mais fáceis. O álbum:
Silta Sirds.
Esse
projeto me trouxe outra visão da 1ª arte, de que podem existir muitas coisas diferentes ao redor do mundo e coisas parecidas com o que nós estamos
acostumados.
Queria indicar
outras bandas (foi muito difícil selecionar só essas) mas não caberia em
uma postagem, portanto, vou deixar a playlist criada no
Spotify aqui embaixo pra vocês apreciarem.
Um rapaz
convence sua amiga a tocar uma de suas composições em um bar. Uma compositora
que terminou um relacionamento recentemente é convencida a tocar uma de suas
músicas em um bar. Um produtor falido está bebendo em um bar até que ouve a sua
próxima grande descoberta. Pode parecer loucura, mas o filme começa exatamente
assim, mostrando esses três pontos de vista e com essa originalidade, ele já te
conquista nas primeiras cenas.
No começo
todos os personagens são fracassados. O produtor Dan, interpretado por Mark
Ruffallo, demitido de sua própria gravadora após cair no alcoolismo, devido à separação com a mulher e filha, está em
busca da nova revelação musical que vai salvá-lo disso. Gretta (Keira Knightley),
é uma cantora e compositora que namorava o astro Dave Kohl (Adam Levine), até
que este assina um contrato com uma gravadora de grande porte e deixa tudo pra
trás, inclusive sua namorada. Steve (James Corben) é um musico que toca nas
ruas de Nova York e não agrada ninguém.
A trama vai se
desenvolver a partir do momento que o personagem de Ruffallo descobre Gretta
cantando no bar e imagina outros instrumentos acompanhando a cantora em sua
adorável “A Step You Can’t Take Back”.
Daí o filme vai te encantando cada vez mais com a voz doce de Keira, cantando
nesse quase musical. Dan decide que quer gravar um disco com ela, por toda a
cidade, em lugares públicos, de baixo de pontes, remando no lago do Central
Park, em becos, com vozes de crianças na fofíssima “Coming Up Roses”...
Engana-se quem
acha que fica só na produção do disco, que por si só já é muito incrível. John
Carney, o diretor do filme, aposta no relacionamento entre pai e filha após a
separação, até mesmo no relacionamento com a ex-mulher. Dan vai descobrindo coisas sobre a sua
família, como o talento de sua filha na guitarra, elas acabam ajudando na produção e ele vai se reaproximando
delas até o final do filme.
Dave volta pra
cidade pra um show, tenta contato com a Gretta após ela mandar uma mensagem
cantada dizendo “o amei como uma idiota”. Ela ouve seu novo disco e percebe
que ele usou a música que ela fez pra ele, chamada de “Lost Stars”, mas que mudou todos os acordes e tirou toda a emoção
da música apenas pra se tornar um hit. Ele a convida pro show e lá ela toma
a decisão mais certeira de sua vida. Uma música pode salvar a sua vida, e todos
os personagens sabem disso.
O filme acaba
com aquela sensação maravilhosa de realização, você sai da frente da tela com
vontade de começar a descobrir a sua cidade e o que ela tem a te oferecer em
questão de arte. O sorriso de Gretta ao final representa muito bem o que todos
nós deveríamos sentir: satisfação com o que se faz e consigo mesmo. Somos
puxados pra realidade, mostrando que a vida não é só feita de relacionamentos e
que descobrir o melhor de nós é tão importante quanto o amor.
Antes de
finalizar essa resenha, gostaria de indicar a trilha sonora do filme que é toda
cantada pelos atores, com participações especiais de CeeLo Green (que também aparece no filme) e Hailee Steinfeld que interpreta Violet, a filha de Dan.A trilha sonora (igualzinha as músicas do filme - até no som ambiente) nos faz ter vontade de
assistir tudo de novo sempre que uma música começa a tocar.